Viviane Polacow, Nutricionista

Você sabia que boa parte do que comemos, comemos de forma inconsciente, sem nem perceber ou lembrar do quê, nem do quanto comemos?
Vivemos num mundo em que temos o tempo todo “pistas” ou “incentivos” para comer, mesmo sem estarmos com fome e mesmo que você ache que “não cai nas armadilhas” do marketing dos alimentos.
Abaixo, estão algumas dicas para evitar situações que nos fazem comer de forma inconsciente, todas elas baseadas em pesquisas científicas, seguidas de possíveis soluções para cada problema:

- Cuidado com o tamanho das porções – as porções servidas estão cada vez maiores (basta ver o exemplo da pipoca nos cinemas) e a nossa tendência é comer até o fim da porção, mesmo que ela seja muito maior do que a nossa fome

Solução:

Peça porções menores, ½ prato ou ½ porção. Quando não for possível, divida a “superporção” com seu acompanhante. Pare na metade e pergunte a si mesmo se ainda está com fome. Se a resposta for não, jogue o restante fora, peça para retirar o prato ou ofereça a alguém.
Para produtos industrializados/comercializados em pacotes grandes, separe a quantidade que vai comer e guarde o restante do pacote (longe da vista, preferencialmente- vá comer em um lugar diferente da “fonte”). Se, por exemplo, vai levar biscoitos de lanche para comer fora de casa ou no trabalho, separe num pote, papel alumínio ou saquinho tipo ziploc somente a quantidade que pretende comer e deixe o restante em casa.
Evite comprar caixas de bombons, caixas de barra de cereal, etc, se você tem tendência a exagerar nestes alimentos. Prefira comprar porções individuais: pote de sorvete individual ou picolé ao invés do pote de 1l ou 2l, barra de chocolate individual (20-30g) ou invés de barra de 180g, etc
Resista ao apelo do tipo “Compre 3, pague 2”. Geralmente acabamos comprando mais do que precisamos e acabamos por comer mais do que havíamos planejado, de forma que a “economia” sai caro (para o seu corpo).

- Alimentos ou embalagens à vista o tempo todo nos dão “pistas” para comer mais, mesmo quando não estamos com fome. Muitas vezes nem lembramos que eles existiam, mas bastou ver a embalagem para “abrir o apetite”.

Solução:

Guarde os alimentos mais sujeitos a exageros (salgadinhos, bolachas, guloseimas, etc) em armários/locais pouco acessíveis. Evite armários que são abertos muitas vezes por dia, como o mesmo armário em que estão os copos, por exemplo. Coloque pacotes dentro de potes ou sacos fechados, se possível não transparentes, que “escondam” a embalagem.
Na geladeira deixe frutas, iogurtes, saladas mais à frente, e deixe doces, guloseimas, sorvetes etc mais ao fundo
Leve à mesa somente o prato já porcionado (deixe travessas, panelas, etc na cozinha, sobre o fogão; para inibir o impulso de fazer um “repeteco”- ou vários- da comida que está à sua frente). Leve à mesa somente a travessa de salada.
Numa mesa de bar, ou cheia de petiscos com a família e amigos, sente-se longe do alcance das travessas (na ponta de mesa, por exemplo). Numa festa, fique a mais de dois braços de distância da mesa onde está a comida e não fique na saída da cozinha, por onde passam os garçons com as bandejas cheias.

- Pratos e travessas grandes enganam nossa vista – acabamos nos servindo de quantidades muito maiores sem perceber.

Solução:

Use pratos e talheres menores. Evite restaurantes por quilo em que são oferecidos pratos muito grandes. Se isso não for possível, habitue-se a preencher somente a parte central do prato (vai parecer que é pouca comida, mas acredite, é ilusão de ótica)

- Propaganda ou embalagem alegando que um determinado produto é saudável ou light ou “0% de gordura” pode nos fazer comer mais, justamente porque acreditamos que seu consumo é inócuo, ou isento de calorias. Isso nem sempre é verdade, uma versão light de um biscoito pode, por exemplo, ter menos gordura, mas compensar no açúcar, e acabar oferecendo quantidade equivalente de energia a de um biscoito tradicional. Um chocolate diet é isento de açúcar, mas tem bastante gordura, o que o faz ter até mais energia do que um chocolate tradicional.

Solução:

Compare os rótulos dos produtos na sua versão tradicional com a versão light/diet/0% de gordura – se sua intenção é diminuir energia, cheque se a versão modificada realmente tem menos energia (em calorias ou kcal).
Mais importante ainda, se for um alimento que você consome muito esporadicamente, avalie se você realmente precisa consumir a versão light/diet/0% de gordura, que geralmente não costuma ser tão saborosa quanto a versão original.
Se optar mesmo assim pela versão light/diet/0% de gordura, consuma uma quantidade “normal” do alimento, e não mais do que consumiria, só porque é light/diet/0% de gordura.

Outras dicas que ajudam:

Comer devagar – já é um clichê, mas funciona. Procure acompanhar o passo da pessoa que come mais devagar dentre seus familiares ou amigos. Lembre-se de descansar os talheres e só pegá-los novamente quando tiver engolido o que está na boca. Não use líquidos para “empurrar” alimentos.
Estipule uma regra de “nuncas”: nunca comer em pé, nunca comer em frente ao computador ou TV, nunca comer falando ao telefone. Dê importância e curta a refeição.

Bom apetite!

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